Procura-se a Bolinha


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O desabafo de um passarinho


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Hoje pela manhã, o sol nasceu belo e vigoroso. Seus raios vieram como um sopro de vida e aconchego, que aqueceram o meu corpinho e aliviaram um pouco o meu sofrimento por causa de uma gélida e interminável noite que enfrentei. Não havia como parar de tremer, exposto ao vento cortante que penetrava através das minhas frágeis peninhas.
Nessa noite, fiquei praticamente o tempo todo acordado e com uma fome que doía o meu papinho. Eu estava em uma das poucas árvores, que ainda restam na região, olhando para uma casa que estava bem próxima a mim. Através dos vidros da janela embaçada pelo frio e pelas cortinas entreabertas, dava para ver pessoas felizes, bem agasalhadas e sorridentes, sentadas em um confortável sofá, comendo alguma coisa que parecia ser deliciosa. Eu imaginava que aquilo que comiam era muito bom, mas, a mim restava apenas imaginar como seria o gosto daquela comida, enquanto minha fome insistia em me lembrar que eu teria uma luta pela busca de algum alimento em forma de migalhas, assim que o dia amanhecesse.
Talvez na tentativa de esquecer o meu sofrimento causado pelo frio e pela fome, eu não parei de olhar para a movimentação dentro daquela casa. Pude perceber os chinelos de pelo, que imagino serem quentinhos, e aquelas pessoas diante de uma bonita lareira, se aquecendo com o fogo que deveria fazer com que elas não sentissem o mesmo frio que me atormentava aqui fora. O fogo e a lenha lá dentro fazem eu me lembrar que, dias atrás, eu havia perdido a árvore que eu e minha família morávamos há poucos metros daqui, e que aquele homem, que sorri dentro daquela casa, cortou a nossa casinha, e a picou em vários pedaços. Hoje, eu pude ver aquilo que um dia foi a minha casa alimentando o fogo, para que aquelas pessoas não passem frio em uma noite tão fria como essa, que faz as minhas asinhas doerem, quase que congeladas.
Defronte a um objeto quadrado, que ouvi dizer que chamam de televisão, aquelas pessoas riam e se emocionavam diante de imagens ou outras realidades distantes, enquanto eu chorava em silêncio ao lembrar que, na minha realidade, terei mais alguns meses de frio intenso nas intermináveis noites.
Vi uma daquelas pessoas tomando um líquido fumegante, que imagino ser o que chamam de “chá quentinho”. Como aquele chá quentinho poderia ser reconfortante para um ser como eu numa noite como essa?
Mas, ao voltar à minha realidade, lembro-me que, pela manhã, terei que procurar por uma poça d’água suja e congelada, para que eu possa matar a minha sede e continuar a minha luta pela sobrevivência. Quem sabe, eu tenha a sorte de encontrar um ser bondoso que pense em nosso sofrimento e coloque água e um pouco de comida para que nós, pássaros, herdeiros passivos da devastação causada pelos seres humanos, possamos ter o que beber e o que comer! Mas, isso só saberei assim que o tão esperado sol aponte no horizonte pela manhã.
Quando já eram altas horas da noite, talvez madrugada, pude ver que as casas começaram a apagar as suas luzes e, quando isso ocorreu, sabia, pela minha experiência, que teria ainda um longo período de frio e escuridão.
Por outra janela, olhava atento, com os meus olhinhos gelados, que as pessoas se deitavam em camas macias e se cobriam com cobertores, os quais eu imaginava serem gostosos para se dormir tranquilamente.
As luzes se apagaram e, em meus pensamentos, desejei carinhosamente a todos aqueles que estavam dentro daquela casa, bons sonhos.
Os sons da coruja e dos gatos me apavoravam, mas vivo na esperança de sempre, de que tudo estará bem pela manhã.
Quero dizer que, eu e todos os pássaros, gostamos muito dos seres humanos, apesar de apenas alguns poucos deles gostarem de nós e que, apesar das diferenças entre eles e nós, todos temos uma luta para sobreviver em um mesmo mundo, dividindo o mesmo espaço.
A mim, restava sonhar com o dia que demorava a chegar e, sonhava ainda, em não ver nenhum amiguinho meu morrer nessa noite com o frio que se fazia impiedoso, e para que nenhum ser malvado o maltratasse ou o apedrejasse por motivo nenhum assim que o dia despontasse.
Não peço para que vocês, seres humanos, recolham meus amiguinhos e eu para dentro das suas casas, pois queremos viver a nossa liberdade. Peço, porém, que nos respeitem, nos protejam, mantenham as matas intactas e, se possível, deixem um pouco de água e comida no jardim ou no quintal, e também um cantinho debaixo do beiral do seu telhado para nos confortar um pouco do sofrimento que temos em dias de frio, pois, assim como vocês, sentimos frio, fome, dores e temos sentimentos.
Assinado: Passarinho

Texto escrito por Leandro Ditzel
leandro.ditzel@gmail.com
http://leandroditzel.blogspot.com/

O último dia de um condenado


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Após uma interminável noite de lembranças e reflexões, infelizmente para mim, o dia amanheceu. Hoje é o último dia de minha vida.
Sei que quando esse mesmo sol que acabara de nascer, se por ao fim do dia, não estarei mais aqui para contemplá-lo e, amanhã bem cedo quando ele voltar a nascer, serei apenas uma lembrança. Não sei como ainda consigo ter forças para fazer esse triste relato.
Há meses estou aqui, condenado à morte por algo que juro que não cometi, mas aqui estou na certeza do cumprimento da sentença que me deram sem que nada eu devesse ou tivesse cometido algum mal para alguém. Tenho a minha consciência tranquila, pois nada de errado eu fiz, mas, aqui estou no aguardo dos instantes finais.
Sei que é injusto o que em alguns minutos irá acontecer comigo, mas não me deram direito à defesa. Não me deram direito ao que de mais importante e precioso eu tenho, que é a minha tão por mim amada vida.
Dizem que nos tratam bem enquanto estamos aqui e, aparentemente sim......, nos tratam bem, ...a comida é boa..., mas...., é um tratamento extremamente frio. Nem parece que eles têm sentimentos, pois para eles que nos deixam presos aqui, somos apenas números esperando a hora da morte. Não vejo brilho em seus olhares. Não vejo amor em seus corações. Só vejo pedras no lugar onde deveriam existir sentimentos.
Aqui fiz muitos amigos que como eu, esperam pelo seu momento e....para mim, é difícil descrever o que sinto...., pois, nos apegamos uns aos outros....e estamos aqui por um mesmo motivo. Estamos aqui condenados a deixarmos essa vida por uma decisão que não nos pertenceu.
Todos os dias eu vejo veículos que trazem novos condenados. Vejo também, veículos grandes e fechados que levam daqui aqueles que já se foram.
Ontem foi um dia muito triste para mim. Vi o meu amigo se despedir de mim e da vida. Quando chegou a sua hora foi muito doloroso para nós dois que por meses convivemos juntos.
Chegado o momento de partir daqui, de onde nesses meses todos compartilhamos uma bela amizade, senti a dor da despedida e, um profundo frio de tristeza penetrou em meu ser. Meu amigo olhou profundamente em meus olhos e seguiu o seu destino final.
Não consigo deixar de lembrar os seus olhos esbugalhados e a respiração ofegante por um forte e indescritível medo. O olhar de pavor que presenciei quando ele dobrou aquele corredor me deixa agora mais apavorado do que já estou, pois sei que hoje chegara a minha vez e não faço idéia na verdade de como será passar pelo fim. Não sei se sentirei dores, se perceberei que estarei morrendo lenta ou repentinamente.
Estou com medo e não tenho a quem me consolar. Ouço gemidos de dor e pavor...... Também estou apavorado...... Tem mais alguém sendo morto.... Estou com medo!
Agora tenho que me despedir. Espero que alguém leia esse meu último relato e possa repensar nos erros e injustiças que continuam sendo feitos pelo mundo.
Sei que a maioria dos seres humanos almeja se alimentar com a nossa carne e com o nosso sofrimento, mas tem tantas formas de se alimentar sem causar dor e medo, sem que ocorra essa tristeza toda nesses frigoríficos frios e desumanos.
Muitos comem nosso corpo por diversão em dias de festas sem que estejam realmente com fome e, por isso, perdemos a nossa tão preciosa vida.
Dói em nossos corpos e, muito mais, em nos nossos sentimentos o que fazem conosco.
Se um dia resolveres repensar em suas atitudes, comece por se lembrar dos nossos olhares de dor nos instantes finais.

Autor
Leandro Ditzel
leandro.ditzel@gmail.com
http://leandroditzel.blogspot.com

Qual a importância de uma ONG Protetora de animais em uma cidade?


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Procura-se a Pitucha


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FOI ENCONTRADA

1⁰ Encontro Animal e 5ª Feira do Cacareco


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Feira de Adoção


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